terça-feira, 10 de setembro de 2013

De Mãos e olhos

Um dia eu acordei e pensei: Vou ser feliz e fazer o que eu quero nesse mundo que tem mil coisas pra me oferecer. Eu ainda era criança, não precisava de muita coisa pra ser feliz. Agarrei aquilo que podia. Mas minhas mãos eram tão pequenas que não coube tudo. 
Então virei adolescente. Minhas mãos cresceram. Mas fiquei chato, pessimista: O mundo era um saco, nada prestava e ele não tinha tanta coisa assim pra me oferecer. Eu tinha olhos pequenos. O mundo ofereceu muitas coisas. Eu não aceitei o que me foi oferecido. Fui cego. Mas o mundo é generoso e compreensivo, continuou me oferecendo. 
Passado o tempo, alem de mãos grandes, agora tenho olhos que enxergam mais longe. E vejo que existem outras pessoas com mãos grandes e olhos enormes. Algumas são só mãos, e caminham junto de nós. Nos apontam o caminho. Outros são só olhos. Olhos grandes. Olhos que falam e desdenham daquilo que suas mãos não alcançam. Será que suas mãos não cresceram o suficiente ou é o tamanho dos seus olhos que está muito além? Essas mãos, por não conseguirem alcançar o que o mundo oferece, te puxam pra trás, de modo você também não alcançar. Assim, seus olhos ficam satisfeitos. Pena que olhos tão grandes não enxergam que, desse modo, nenhum dos dois sujeitos irá alcançar nada. 
Talvez a solução seja fazer com que minhas mãos pareçam pequenas, assim os olhos não me enxergarão. Afinal, não preciso de outros olhos, mas outras de mãos.
O mundo não mudou. Esse continua oferecendo. Quem mudou fui eu.