Observando os passantes podemos refletir sobre nós mesmos. Agindo naturalmente, sem medo de câmeras, sem saber que está num Big Brother de outrem, podemos perceber que as pessoas são diferentes, mas muito parecidas. Todas se olhando, todas caminhando com algum objetivo. É interessante como nós no olhamos. Sozinhos, comentamos com nós mesmos sobre o próximo. Por exemplo, aquela mulher que acabou de passar na minha frente. Olhou pra mim, olhei pra ela.
Microssegundos de observação e provavelmente inúmeras linhas de pensamento podem surgir. Provavelmente me viu sentado aqui e inventou uma história sobre minha pessoa. Não sei. Mas eu, certamente, inventei. Gosto de fazer isso. Ela se chama Júlia, é estudante de artes cênicas do 5º período. Gosta de sair de noite e dançar house. Odeia micaretas, embora tenha ido em uma este mês. Conheceu um rapaz. Playboyzinho da barra. Ficaram, transaram a noite toda. Não se ligaram no dia seguinte, nem na semana seguinte. Júlia seguiu com sua vida.
E eu com a minha.
Vai. Mas volta.
Há 11 anos
